30 novembro, 2013

Hoje chego ao estúdio, aos sábados sou eu que abro a porta e entro 1hora antes que toda a gente.
Subo as escadas, vou acender as luzes e vejo o ''meu'' computador e o ''meu'' disco na secretária da minha colega. Acho estranho. Vou para a minha secretária e está lá um iMac! 27''. Novo, Ainda com a capa. E eu fico ''wtf, isto não é para mim''. Pego no telemóvel para mandar mensagem ao meu patrão, só o ouço a rir, atrás das cortinas, de máquina na mão a filmar a minha reacção.
Um iMac, só para mim, com 3Tb de disco!
Às vezes até vale a pena ainda andar por aqui...


18 novembro, 2013

A carta que nunca nos escreveram

"Não sei como hei-de começar esta carta. Se te começo por pedir desculpas, ou se te digo que ainda te amo. Desculpa-me e ainda te amo. Passaram-se meses desde a última vez que me disseste, que deitavas alguma coisa por mim sem ser indiferença e nostalgia, e estás quase tão distante de mim, como eu da pessoa que agora dás a mão.
Não sei ao certo o porquê de te escrever esta carta, mas dei conta de ti ontem. Ontem à tarde estava na minha vida, metido nos meus problemas e enfiado nos meus próprios pensamentos, quando me apercebi que o Inverno estava a chegar, e que o ia passar sozinho. Veio-me uma imagem de ti à cabeça. Foi breve, estavas com um casaco branco e o cabelo castanho enorme a bater-te em baixo dos ombros, e olhaste para mim e sorriste. O sorriso que me costumavas dar, e deste-me durante tanto tempo, só porque sim. Fizesse eu bem, falasse eu mal, estivesse eu num bom ou mau dia, nunca te esqueceste de dizer o quanto gostavas de mim.
Outros dos motivos pelos quais te quis escrever foi para te pedir desculpa. Desculpa-me por todas as vezes que te troquei, ou que te menti. Por todas as vezes que te chamei louca, porque sei que em ti há mais sanidade do que em mim algum dia haverá. Fui eu que te fiz assim. Fora de ti, sem nada a perder ou nada a ganhar, que te transformei no monstro de dúvidas e inseguranças que hoje és.
Desculpa por todas as vezes que te disse que nunca te haveria de magoar, sabendo que já o tinha feito. Pela capacidade fora do normal que tive de te enganar, ou por todas as vezes que deixei alguém falar mal de ti à minha frente. Desculpa-me ainda mais, por a quantidade enorme de mulheres que usei para esquecer-me do teu sorriso. A culpa não é delas, é minha. Não as odeies por tentar fazer delas uma cópia tua, por tentar cheirá-las e te sentir a ti, ou por quando dizia que as amava antes de as levar para a cama, querer ver-te a ti em baixo de mim a sorrir. A culpa foi sempre minha.
Vi-te no outro dia e o meu coração disparou. Estavas incrivelmente bonita, e pela primeira vez compreendi que nunca precisaste de mim para nada. Que sempre foste assim, mulher do teu nariz, bonita, cheia de sorrisos e com uma capacidade fora do normal para te dares bem com as pessoas que gostas. Fui eu que sempre precisei de ti. Que mesmo mais pequena que eu, arranjava conforto em estar nos teus braços. Que não havia voz que me acalmasse mais de manhã, ou que quisesse mais ouvir antes de me deitar. Estavas tão bonita, tão sorridente, com uma cerveja na mão e o cabelo pouco penteado como costumas andar, e estando os dois no mesmo espaço, não deste por mim. Estavas no teu mundo, nos teus problemas, que com força e com todos os meus erros deixei de fazer parte deles. Olhei para ti com mais intensidade do que olhei em todo o tempo que estivemos juntos.
Há coisas que só compreendemos quando perdemos alguém. Nunca tinha reparado como o teu sorriso é bonito visto de fora, nem como pareces estar em câmara lenta quando te rodeias das pessoas que gostas. Se um dia fui o teu namorado e tinha gosto em quando passavas, ver todos os homens olharem para ti, e tu, tão ingénua com o teu sorriso me vires beijar a mim sem dar ali por eles, então eu fui o eles.
Fui eu que te vi a ti, a passar, com os olhos de expressividade que tens, e o sorriso que mandas quando vês alguém que amas, passar ao meu lado e beijares alguém, que te olhou como um dia te devia ter olhado. Sei que estás apaixonada.
Pensei muitas vezes para mim mesmo, que um dia ia mudar. Um dia ia ser o homem que mereces, e que o destino acabou por te fazer encontrar. Que te ia deixar de mentir, fazer chorar, ou dar pouco valor quando aparecias do nada para me perguntar se estava bem. Nós homens, pensamos que quanto mais magoarmos as mulheres, mais elas vão esperar pelo dia em que deixam de ser magoadas para nos começarem a dar valor.
Disse-te muitas vezes que tinhas sorte em me ter como namorado, mesmo sabendo que o azar era teu e não meu. Eu devia ter sabido, que uma mulher como tu, tão independente e agarrada aos sonhos, era a sorte que a vida me tinha metido na frente.
Por todos os dias mal passados, por todas as mensagens que fiz de conta não ver, por todos os telefonemas em que virei o ecrã para baixo, pelas vezes em que guardei outros números com nomes de amigos, pelas vezes que te mandei uma mensagem a dizer que te amava prestes a ir ter com outra, por as promessas quebradas, por as mentiras e os dias que te afastei da pessoa que acabaste por encontrar, recebi como paga tu mais bonita que nunca, a rires-te e a passar-me ao lado. A vida deu-me como paga, tu, ao meu lado, apaixonada por outra pessoa.
Desculpa, ainda te amo."

daqui

12 novembro, 2013

Orgulho

Há coisas que nunca mudam.
O teu orgulho vem sempre quando menos devia vir...

26 outubro, 2013

Hoje foi o dia

em que o meu patrão sugeriu que eu me mudasse para a Régua.

(e quando eu disse 'Claro, é que é já a seguir!' ainda ficou a pensar se eu estava a falar a sério ou não)

25 outubro, 2013

Hoje foi o dia

em que os meus patrões se riram na minha cara por eu me ter posto a pé as 5 da manhã para ir ajudar o pai do meu namorado, que tem cancro, no negócio da família.

('Só você Mariana!')

16 outubro, 2013

la la la what a lovely day

Acordei às 6h45. Pus-me a pé. Passei um vestido, umas calças e uma camisa a ferro.
Vesti-me. Não tive tempo de tomar o pequeno almoço. Sai de casa.
Apanhei o autocarro às 7h31. Sentei-me. Adormeci.
Acordei às 8h16. A rapariga que nunca sei o nome queria sentar-se ao meu lado, tirei a mochila do lugar, troquei 2 frases com ela.
Cheguei à Régua às 8h25. Fui à padaria buscar o almoço. Entrei no estúdio às 8h31.
Estive a editar até o sino tocar às 13h. Não produzi nada de jeito.
Almocei. Às 13h54 voltei a subir as escadas para editar. Não fiz nada de jeito. Sem concentração. Dor de cabeça. Desliguei o pc às 18h02. Saí do estúdio às 18h10.
Fui comprar 2 raspadinhas. Cheguei à estação às 18h19. Apanhei o autocarro às 18h33.
Às 18h49 o autocarro ia batendo. Adormeci. Cheguei a Vila Real às 19h20.
Fiz o jantar. Jantei. Fui passar a ferro.
São 22h04.
Ainda tenho coisas para arrumar na cozinha.
Ainda tenho de tomar banho.
Ainda tenho de preparar a roupa para amanhã.
Ainda tenho de dar de comer e de beber ao coelho.
Vou-me deitar. Tentar conseguir adormecer antes da meia noite.
Amanhã, acordo às 6h45.

15 outubro, 2013

Coisas que o meu namorado diz #10

( no fim de semana fomos à Primark e eu comprei daqueles pijamas daquele material muito fofinho que parece pelúcia)

- Mor, com este meu pijama novo é como se estivesses a dormir agarrado a um urso de peluche!
- E não... É bem melhor!

13 outubro, 2013

um dia eu disse

"se eu estivesse na China e visse num sítio qualquer o desenho das tuas mãos, eu ia saber que eram as tuas mãos"

Guess what? Não foi na China.

08 outubro, 2013

E hoje no meu facebook....

Todo mundo vai ver o Seu Jorge!
Músicas do Seu Jorge por todo lado!
Fotos do Seu Jorge por todo lado!
E eu em vez de ir ver o Seu Jorge, vou ficar em casa a passar roupa a ferro... Iu-pi!

03 outubro, 2013

dffefgbsdnjfhedbv

Há dias em que eu nem sequer devia sair da cama.
Neste caso, a semana inteira! pkp

30 setembro, 2013

Acho que FINALMENTE a onda de casamentos está a acabar!
Já nem sei a quantos fui. Já nem me lembro de metade das coisas que aconteceram em tantas horas de trabalho. Dias seguidos a trabalhar 16/17horas por dia.
Verão de merda e a única coisa boa mesmo foi ter saído de casa para viver com o meu namorado.
Não tenho tempo para nada... não tenho tempo para vir ao blog... Sorry =/


(não consegui arranjar de todos, mas foi mais ou menos isto)

Coisas que o meu namorado diz #9

Íamos buscar o jantar ao McDonald's e ele em vez de ir directo andava às voltas pelas ruas.

- Mas para onde é que nós estamos a ir?!
- Para o McDonald's...
- Fogo, nunca passei aqui para ir ao McDonald's!
- Mas isso é porque tu não jogas GTA e não conheces os atalhos!

Coisas que o meu namorado diz #8

Eu já farta de engomar camisas do meu namorado, e digo-lhe que vai ter de deixar de usar camisas, responde ele muito indignado "Mas de camisa é que eu sou lindo!"

26 agosto, 2013

'Tudo'


Já lhe tinha beijado a boca e o pescoço. E esfregado a mão suada na dela. Sentira-lhe o hálito adocicado na ponta da narina esquerda e lambera-lhe o lóbulo da orelha direita. Ele já lhe fizera quase tudo. O “tudo” dos amantes. O “tudinho”. Eu disse-lhe que não. E argumentei solidamente perante o “mas.. mas…” atarantado.
Já conhecia cada centímetro cúbico das suas ancas.
“Não é aí”, disse-lhe. “Não é aí que mora a intimidade, homem!”

Os cafés chegaram à mesa, esperei pela saída do empregado para continuar.
“Olha lá, a intimidade de quem ama, ou gosta, ou deseja, só tem os nossos limites, certo?”
Levantou a sobrancelha e encolheu os ombros. Enquanto ele descrevia, subtilmente, o seu universo do “tudo”, recordei-me de um amigo, nas noites quentes do Seixal beira-rio, perdido na insensatez dos seus 19 anos dizer-nos “Pá, sexo oral com a nossa mulher, a mãe dos nossos filhos? Não. Fogo, nem pensar.” Isso seria coisa para “as outras”. Aquelas que desejamos mas com quem nada construímos. Como se houvesse um limite intransponível de intimidade com quem a mesma deveria ser plena. Voltei à mesa do café. Ele parara a descrição suculenta dos detalhes do amor e folheava, agora, os jornais.
“E já dormiram juntos?”
“Já!! Então, não te estou a dizer que fizemos tudo?”
“Está bem… mas dormir. Eu digo dormir. Ressonar. Fechar os olhos! Esse dormir!”
“Ahmmm…”
Ele olhou para mim com a nítida expressão do já me lixaste.
“Ohhh, lá estás tu… e isso é assim tão importante?”
É.

Contei-lhe uma história… uma viagem que fiz, em trabalho, à África do Sul. Em Durban, tive um motorista cuja sensibilidade ia muito além da memória fotográfica para ruas e da avidez para não parar em semáforos. Mtunzi era um homem fora de série. Um dia, em tom de confissão, contou-me… tinha apanhado, no aeroporto, um cliente. Casado, também ali em trabalho, o homem pediu-lhe para seguir para o hotel e, pelo caminho, lá lhe perguntou…
“Where can we find women, here. Beautiful ladies… hum?”
Mtunzi, a cortar a curva com a ternura de um talhante, lá lhe disse:
“What kind of women? The one you pay or the one you may fall in love?”
O cliente riu-se. E percebeu que a coluna afectiva do motorista era inabalável. Não mais abriu a boca durante a viagem.
Há coisas que não fazemos com quem se paga. Ou com quem o “tudo” é outro “tudo”. O meu amigo continuava incauto a mirar-me.
“Como assim?”
Sorri-lhe.
“Já lhe tocaste nos pés?”
Riu-se. Insisti.

O amor não está na juras ou promessas. Nem na liberdade dos teus dedos no corpo dela. Está nos pés. Naquele momento em que os teus tocam nos dela. Frios ou transpirados, sujos ou lavados, de unhas cortadas ou compridas. Quando os pés dela se esfregam nos teus e ali ficam.
É aquele instante tabu, em que a âncora do teu corpo tenta entrelaçar-se no outro. Em que ofereces a tua base. O teu sustento. O teu equilíbrio. Está aqui e é teu.
Não há intimidade maior, nem oferta mais doce. Quando, indiferente ao que aqueles cinco dedos comportam, deixas o teu dedo grande passar-lhe pela palma do pé. Quando sentes a rispidez da pele do calcanhar na barriga da perna e prendes, em pinça, os dedos dela nos teus.
“E, então? Já lhe tocaste nos pés?”


Disse-me que não, cabisbaixo. Mandei-o para casa. Fazer “tudo”

Andam por aqui...