15 agosto, 2012
14 agosto, 2012
Dealing with something bigger than me
'Nunca estamos preparados para ver em ruínas aqueles que nos deram chão. Nunca estamos suficientemente adultos para perceber que os nossos pilares também, às vezes, descambam. Também são frágeis e sentem-se perdidos de tudo. Nunca somos adultos o suficiente, e eu nunca fui. Desde criança que muitas vezes sequei lágrimas a quem me deu vida, muitas vezes apanhei os cacos do desespero, da tristeza, da dor e desesperança que não era minha, ainda. Tentei com todas as forças e artifícios que achei, com eles montar as saídas que não existiam. Tentei secar a desilusão, tentei uma vezes gritar com lógica para provocar reacção, outras só dei mimo e a segurança de estar lá, meio palmo de gente, para o que desse e viesse. E vinha, e dava-me sempre. Assim continuo, meio palmo de gente mais esticado, a tentar resolver coisas que não sei resolver, de que tenho medo, pavor, às vezes. Continuo a secar lágrimas que não são minhas, para depois de fechar a porta chorá-las, ainda não minhas, mas a encontrá-las no meu futuro. Choro-as com a amargura de reconhecer uma vida tão pouco feliz, e com o medo agudo de ainda assim, ser mais feliz do que a minha alguma vez será.
Foi assim que cresci. São momentos filhos únicos de tantos outros que parecem cair num só relâmpago, num só instante, com a carga e peso de tudo o que está para trás, que nos fazem cair a vida aos pés. Que tornam a vida muito maior do que a vida que temos, e só temos vontade de nos deixar cair. Mas não podemos, pelo menos até dar um beijo de despedida e fechar a porta atrás de nós.'
por Eva
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