16 julho, 2012

You didn't do it.

Aquilo que eu gostava que ela soubesse

Menina,vou-te contar uma história:
A primeira vez que o vi, ainda os teus pais não sonhavam em fazer-te. E quando o conheci, muito provavelmente, ainda tu andavas de fralda e chupeta. Quando me apaixonei por ele, quando eu e ele nos apercebemos que havia muito mais, quando demos o nosso primeiro beijo, ainda tu ainda andavas a aprender contas de somar e a tabuada. E tanto mais...
Porquê tudo isto? Porque tu és uma menina. Ainda sonhas mais alto daquilo que podes. E mesmo que tivesses uma cabeça mais a frente da tua idade (que não tens), continuavas a ser uma menina.
E não menina, não é por eu ser mais velha que tu. É por eu saber mais do que tu. É por eu já ter vivido mais do que tu. Eu já corri mais, já aprendi muitas lições, já passei por muita coisa. E tu um dia também hás-de chegar lá. Um dia. Daqui a uns anos.
E não penses, não sonhes sequer que eu to roubei. Eu não to roubei menina. Primeiro, porque nunca te poderia roubar algo que nunca foi teu. E depois, não podia roubar o que já é meu. Eu não sou a outra. Eu sou A.
E não menina, ele não escolheu entre ti e eu. Porque para ele, não era preciso escolher sequer. A escolha dele, já ele a fez há muitos anos atrás. E assim que houve a oportunidade de ficarmos juntos, ele não teve quaisquer dúvidas. E menina, aqui entre nós, ele só demorou tanto tempo porque de facto as tuas ameaças e chantagens deram resultado.
Mas não o julgues. Sim, ele no fundo tem culpa, e podia ter feito as coisas de outra maneira. Mas ele também tinha um carinho por ti. Não penses que não significaste nada para ele, porque significaste. Tiveste a sorte de chegar onde muitas não chegaram. E por isso mesmo, ele achou que tu não merecias levar uma pancada tão forte. E achou que era melhor preparar-te. Dar-te tempo. Ele sempre quis continuar teu amigo, e eu sempre o apoiei nisso. Mas menina, tu não facilitas-te, pois não? Não quiseste aproveitar o facto de ele ser um rapaz tão diferente dos outros. E sabes porquê? Porque tu ainda és uma menina. E tu nunca lhe soubeste dar valor, o valor que ele merece. E tu, ainda não aprendeste, mas um dia a vida vai-te ensinar que o mais importante é a amizade. Também te vai ensinar que mais vale ter um pouco, do que não ter nada. E depois, talvez ai tu te apercebas que podias ter feito as coisas de outra maneira, e podias ter evitado tanta, mas tanta coisa.
Sabes, eu também já estive aí. Já tive a tua idade e sei o que é perder alguém de quem gostamos muito. Mas levanta a cabeça menina. Ele não é o homem da tua vida. É o meu, é o homem da minha vida. Por isso, levanta-te porque algures aí anda o teu. Então segue. Tens tanta coisa para viver, tanta coisa para aprender.
Se custa?, claro que custa. Mas não te rebaixes. Dá valor a ti própria. Porque se tu não deres, mais ninguém vai dar.
Por último menina, eu não guardo rancores nem tenho nada contra ti. Mas não me tentes atingir. Não andes a vasculhar a minha vida para o tentar por contra mim. Não tentes sequer provocar-me. Porque eu sei-me manter de pé em saltos altos, mas se for preciso também desço lá de cima para tos atirar à cabeça.

Will you do it or not?


Andam por aqui...